
A Procuradoria-Geral de Justiça Militar sediou, nos dias 27 e 28 de maio, a Conferência Cyber Quantum 2026, evento estratégico que reuniu autoridades públicas, especialistas e representantes do setor tecnológico para discutir os desafios da segurança cibernética na era das tecnologias emergentes, com ênfase na computação quântica e na inteligência artificial.
Promovida pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), por meio do Comitê Gestor Nacional de Cibersegurança do Ministério Público (CGNCiber/MP), em parceria com a Secretaria de Segurança da Informação e Cibernética do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (SSIC/GSI), a conferência teve como foco a proteção das infraestruturas digitais críticas, o fortalecimento da inteligência cibernética e a promoção da resiliência institucional diante do crescente nível de sofisticação das ameaças digitais.

Na abertura do evento, o procurador-geral de Justiça Militar, Clauro Roberto de Bortolli, destacou a centralidade do tema para a defesa institucional e da soberania nacional. Ao dar as boas-vindas aos participantes, afirmou que o encontro representa um espaço estratégico de reflexão diante das transformações tecnológicas em curso. “Estamos reunidos hoje para discutir o futuro da nossa integridade institucional frente à velocidade avassaladora da era das tecnologias emergentes”, afirmou. Segundo ele, avanços como a inteligência artificial e a computação quântica trazem benefícios inéditos, mas também ampliam os riscos. “A defesa do espaço cibernético confunde-se com a própria defesa da soberania nacional”, ressaltou, ao enfatizar a necessidade de integrar segurança, consciência e inteligência cibernética como pilares fundamentais de proteção.
O conselheiro nacional do Ministério Público, José de Lima Ramos Pereira, reforçou que o cenário atual exige preparação antecipada das instituições frente à evolução do crime digital. “Não basta reagir aos ataques; é preciso construir estruturas preventivas”, pontuou. Ele destacou que a computação quântica tende a romper limites antes inimagináveis, impactando diretamente áreas sensíveis da sociedade. Para o conselheiro, a proteção das infraestruturas digitais está diretamente vinculada à garantia da democracia e da confiança social. “A tecnologia da informação deixou de ser apenas atividade-meio; hoje ela se confunde com a própria atividade-fim do Ministério Público”, afirmou, destacando ainda a importância da cooperação entre instituições.

Representando o ambiente acadêmico e de inovação, o pesquisador em Tecnologias Quânticas João Marcelo Silva enfatizou o papel do desenvolvimento tecnológico nacional e da integração entre ciência, governo e setor produtivo. Segundo ele, a segurança cibernética é um desafio imediato, mesmo diante do horizonte de consolidação da computação quântica. “A computação quântica está próxima, mas a segurança cibernética é para agora”, alertou. O pesquisador ressaltou ainda que não existem soluções prontas e universais, sendo essencial o desenvolvimento de capacidades adaptadas à realidade brasileira. “Não será possível enfrentar esse desafio de forma isolada; é necessário combinar conhecimento, aplicações e soluções”, afirmou.
Já o diretor de Segurança Cibernética do GSI, Luiz Fernando Moraes da Silva, destacou a importância da cooperação institucional e da governança como elementos estruturantes da política de segurança cibernética. Ele ressaltou que a conferência materializa esforços recentes do Ministério Público na consolidação de uma política nacional voltada ao tema. “Esse evento é a materialização de uma governança que vem sendo construída, trazendo a temática da segurança cibernética para o mais alto nível de atenção institucional”, declarou. Segundo ele, a convergência entre diferentes órgãos e iniciativas contribui para o fortalecimento de uma atuação coordenada e eficaz no enfrentamento das ameaças digitais.
Ao longo dos dois dias de conferência, foram abordados temas relevantes como as faces da criptografia aplicada à cibersegurança, da abordagem clássica à quântica, os desafios da migração da criptografia na era quântica, a preparação institucional frente às novas ameaças, a resiliência de infraestruturas críticas, dentre outros assuntos estratégicos para o fortalecimento da segurança cibernética no cenário contemporâneo e futuro.






























